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:: 27 de maio, 2003 ::
Meu cumpadre!

genilson.jpg

Meu cumpadre Genilson Gonzaga, padrinho de meu filho mais novo , o Bruno.
Falei com ele hoje de manhã, e vou passar a tarde com ele no hospital. Teve um edema pulmonar agudo, e está muito fragilizado, não está acostumado, como eu também não estou, a ficar doente.

Taí um homem que se chama trabalho. Diretor do Jornal do Commércio, é um homem que veste a camisa do seu jornal 24 horas por dia, sete dias por semana. Até quando está em lazer, está mirabolando sua coluna, ou pensando em como resolver os "pepinos" do jornal. Basta dizer que sua máquina de escrever está no hospital, e o motorista pega no jornal, os "pepinos" mais urgentes e leva para que ele os resolva de lá...

Da direita pra esquerda na foto, Ana Teresa, Genilson, eu, Nilda e Graça, nosso grupinho de chop, e também do grupo espírita que frequentamos, Jesus no Lar.

Hoje é dia de sessão, mas eu não vou. Vou passar a tarde com ele no hospital. É um amigo querido, cumpadre de estimação, aliás ele é quem diz isso, que sou sua comadre de estimação.

Estive com ele no sábado junto com Ana Teresa, oramos por ele, demos passe, pedimos a Deus a misericórdia de sua cura. Hoje ao conversar com ele ao telefone mais cedo, percebi o quanto ele está fragilizado, ele, um homem de decisão, que traz as solução para os problemas mais cabeludos, agora se sente impotente diante do quadro clínico em que se encontra. Não pode tomar nenhuma decisão, ou ordenar que seu corpo se cure. Difícil demais. Independente toda vida, depender de tudo e de todos. É um exercício de humildade imenso. Obedecer, acatar, seguir a risca, para quem está acostumado a ditar as regras.

Como se isso não bastasse, ainda sou pega com a morte estúpida de Almir Chediak, colega competente, músico, artista, arte, paz, amor. Dolabela...Fico me perguntando o que anda acontecendo com esse mundo de meu Deus. Aonde foi parar a consciência das pessoas, a humanidade, o respeito. Tenho visto tanta aberração, que fico a me perguntar de onde estão nascendo esses seres estranhos, pessoas sem alma, exterminadores da vida, da paz, do amor, da familia.

De onde vem tanto ódio, tanto rancor em relação ao outro. Não me digam que é da pobreza, porque ela sempre existiu, e as coisas nunca foram assim. Onde perdemos o fio dessa meada? Onde deixamos essa brecha imensa para que o mal se espalhasse de forma tão medonha? Até que ponto nós, artistas, que temos o dom da palavra, o dom de ditar modas e comportamentos, somos responsáveis pelo que anda acontecendo?

Fico pasma assistindo tv, só maldade, matança, traição, nas novelas, nos filmes, nos noticiários, nos programas. Será que esse tipo de programação não acaba incutindo nas pessoas de fácil persuasão uma noção errada de comportamento?

Hoje as novelas não se preocupam mais com o horário. É sexo na das seis, sete, oito, e já emenda com os programas e filmes. As novelas ensinam com a maior tranquilidade, como uma amiga deve trair a outra, e armar planos maquiavélicos para poder roubar o namorado. Como o marido trai sua esposa com duas, três amantes...Como matar seus avós de desgosto em três lições, como responder aos seus pais com efeitos de resultado imediato.

E os desenhos animados de hoje? Os personagens se xingam o tempo todo, de imbecil, idiota, burro...Se espancam, se odeiam, lutam e lutam e lutam, e matam e explodem e sangram.
Jesus...fica muito difícil ensinar amor, caridade, respeito e solidariedade dessa forma. Fica muito difícil ensinar a um filho a ser bom caráter, quando os livros de auto-ajuda, ensinam a passar por cima do outro como um trator, desde que você se dê bem.
A guerra já começa na pracinha, pela briga do brinquedo, pelo empurrão na fila do escorrega, e as mães passadas, apenas olhando, e achando aquilo super normal.

Como diria o meu amigo Silvio Brito..mais um pouco estou cantando.."Parem o mundo que eu quero descer..."



:: 21 de maio, 2003 ::
Recomeçando.

sesi-3.jpg

Outro dia Dom Chacal veio me trazer as fotos que foram tiradas no show do Sesi em Vitória. Agora remexendo as coisas aqui as encontrei. Fiquei olhando a foto, e achei tão lindo nós três juntos no palco, no violão Marcello Lessa e na percussão o Dom.

Me faz muito bem sentir o prazer que os meninos tem em tocar comigo, a felicidade, o bom humor a cada show, é gostoso demais.

Amanhã recomeçamos no Vinícius, última semana, e na próxima estaremos em Poços de Caldas.


ÚLTIMA SEMANA
SEMPRE AS 23:00 HORAS



:: 16 de maio, 2003 ::
Novidades!

Testando um sistema de aviso para vocês que frequentam nosso blog, saberem quando houver novidade.
Beijos



:: 15 de maio, 2003 ::
Show

Hoje recomeça a semana de show no Vinícius, sempre as 23 horas!

BEIJOS



:: 14 de maio, 2003 ::
Continuação 3

Paulo Telles, meu avô, a quem chamo de pai até hoje, porque foi quem me criou. Meu avô era uma pessoa muito firme, sério, trabalhador, mas muito amoroso. Amante das artes, adorava música clássica, cinema, teatro e um bom programa de tv, na época os programas eram muito bons.

Provedor nato, nunca deixava faltar nada à família. Bem humorado, forte, e sempre disposto para um bom passeio. É essa a lembrança que tenho de meu avô. Todo fim de semana tinha uma programação, zoológico, cinema, teatro, ópera, circo, e quando chegava a época do Holliday on ice, não perdíamos um. Eu adorava ir assistir. Sempre voltava com um balãzinho do Mickey importado e coisas desse tipo. Meu avô comprava sempre camarote, e fazia todas as minhas vontades. Eu saía de lá enfastiada de tanto comer! Adorava o cachorro- quente de lá, a pipoca amanteigada de milho de canjica, a coca-cola de copo, o algodão doce colorido na época era novidade. Aos domingos, era sagrado ele me levar para assistir a matiné do Metro, Tom & Jerry, e depois íamos tomar um sorvete no Corujinha, bem perto de nossa casa. Escrevo aqui, e vejo ele pedindo dois sorvetes de flocos e dois copos d'água.

Ele nunca foi de dar presentes fora de época, mas quase todo dia chegava com um chocolate Moinho de Ouro pra mim, tipo o batom de hoje. Presente era sagrado em aniversário, no dia dos namorados, minha avó ganhava e eu também, um lindo coração de chocolate, páscoa e natal. Minha avó já adoentada, não podia sair comigo para comprar o que eu necessitava, quem ia era ele, e como não tinha muito tempo, quando saíamos compravamos de "baciada", ou seja, pro ano todo.

As festas lá em casa eram fartas, éramos nove netos, agora somos em sete, dois se foram, de maneira triste. Meu avô comprava sempre para os nove. Carnaval, eram caixas e mais caixas de serpentina, confete e lança perfume. Páscoa era aquele festival de ovos - comprava de caixa também. A casa ficava cheia, aquela criançada aprontando de um lado para o outro, mas meu avô adorava ver todos reunidos ali.

No Natal já tinhamos um ritual: eu ia com ele para a cidade para repor as bolas e luzes perdidas no natal passado. Chegávamos em casa e íamos montar a árvore. Lembro bem de umas luzes que tinham água colorida dentro, e que ao aquecerem ficavam borbulhando, lindo demais. Era uma festa para nós dois arrumarmos a árvore, era um momento muito nosso. Num desses natais, acordei antes da hora, e vi meu avô arrumando os presentes sob a árvore, fiquei feliz de ser ele meu Papai Noel.

O tempo foi passando, problemas, a doença de minha avó, a perda de minha mãe, meu avô foi envelhecendo, enfraquecendo. Às vezes ficava na janela olhando ele, já tão idoso, pegar o ônibus para ir trabalhar, eu chorava escondida, porque muitos ônibus não paravam para ele, por ser idoso, desrespeito total. Era ele quem me acordava todas as manhãs para ir ao colégio, era ele quem ia às festas de meu colégio, era ele quem fazia tudo para mim. Depois da morte de minha avó em 1970, éramos praticamente apenas eu e ele, embora meu irmão de criação Lulu, e meu tio Mário morassem conosco, pouco estavam por lá. Era eu e ele.

Um belo dia, meu avô foi ao cinema no centro da cidade. Foi assaltado, o ladrão o derrubou no chão para enfiar a mão em seu bolso, achando que a caixa do óculos era sua carteira, resultado, meu avô quebrou a cabeça do fêmur, e depois disso nunca mais andou. Enfermeira em casa, casa-hospital, hospital-casa, escaras, problema de próstata, teve que operar, isso foi mais ou menos em agosto de 1973. Em dezembro ele partiu. A última vez que o vi com vida no hospital fiquei muito triste, saí de lá arrasada, mas nem vale a pena detalhar aqui. Vale a pena relembrar tudo de bom que ele pôde me proporcionar e ensinar.

Tenho lindas recordações de nossa caminhada juntos, e da sua capacidade de "chegar junto" nos momentos mais difíceis de cada um de nós.

avos-Maria-Paulo.jpg



:: 12 de maio, 2003 ::
Foi bom!

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A primeira semana de show foi muito gostosa, e fechada com chave de ouro pelo dia das MÃES com a presença linda dos 3 filhões, Leonardo, João e Bruno.
Fazia tempo que não tinha um dia assim, de mãe musical!



:: 05 de maio, 2003 ::
Show

vinicius-maio03.jpg



A vida é um show!

Quarta-feira passada, eu e Tito Madi, fomos gravar a entrevista para o programa do Miele na Educativa, "A vida é um show". A tv já havia ido gravar nossa apresentação no sábado retrasado lá no bar do Tom, e ficou faltando o bate-papo com Miele.
O que é o programa? Vou explicar.

Programa musical veiculado de terça a sexta-feira, pela TVE - Rede Brasil em rede nacional, no horário de 22h. Apresenta o formato de uma minissérie semanal que, a cada quatro capítulos, explora a história de uma personalidade da MPB. Por meio de entrevistas descontraídas, shows, clips e depoimentos, o público fica sabendo da vida pessoal, da ascensão profissional, das experiências marcantes e dos planos futuros de alguns ídolos. Aos sábados, um compacto da semana é exibido às 23h.

Quem apresenta como disse acima é Miele,multi-artista, Luiz Carlos Miéle é diretor e produtor de shows, humorista e excepcional mestre de cerimônias. Sua carreira começou, em início dos anos 60, no Beco das Garrafas que, localizado em Copacabana, foi célebre reduto da boemia, dos apreciadores de jazz e MPB. Lá, Miéle estreou como diretor de uma série de shows curtos, conhecidos como pocket shows (shows de bolso). Quase sempre ao lado do parceiro Ronaldo Bôscoli, trabalhou em mais de 120 espetáculos, que tinham como astros, entre outros, Elis Regina e Roberto Carlos.

Dos bastidores, Miéle passou para frente dos palcos e consagrou um estilo de apresentação baseado em muita elegância, improviso rápido, humor afiado e uma voz poderosa.

Me senti meio perdida no meio do papo dos dois, pois eles são do mesmo tempo, conhecem as mesmas pessoas, e tinha horas que eu não entendia nada...risos, mas entre mortos e feridos acho que o resultado foi muito bom!

Assim que eu souber o dia certo da apresentação do programa eu aviso por aqui.