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O importante não é fazer coisas grandes. Mas ser grande nas coisas que se pode fazer.
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:: 28 de abril, 2003 ::
Programa Gema Brasil.
Às 20:30h .TVE Brasil. Filha da inesquecível cantora Silvinha Telles e do compositor e violinista Candinho, Cláudia Telles começou a freqüentar desde cedo o meio musical. Iniciou sua carreira profissional aos 15 anos fazendo coros para artistas famosos. Seu mais recente CD chama-se “Sambas e Bossas”que está sendo apontado pela crítica especializada como um dos melhores discos lançados em 2002.
Arrume o fundo da forma com os biscoitos Maria. Na batedeira, coloque as gemas e o açúcar e bata até ficar bem claro. Junte aos poucos a manteiga e bata bem até ficar um creme fofo. Coloque a baunilha. Acrescente o creme de leite misturando delicadamente com uma colher de pau. Coloque metade do creme na forma e cubra com outra camada de biscoitos. Coloque o restante do creme e outra de biscoitos. Leve para geladeira por 3 horas. Coloque os ingredientes da calda numa panelinha e deixe derreter em fogo baixo. Desenforme a torta e cubra com a calda quase fria. Retorne a geladeira até o momento de servir.
:: 24 de abril, 2003 ::
Continuação 2
![]() Minha vó Maria, mãe de mamãe. Maria Amélia D'atri. Francesa. Dona de casa excepcional como já disse aqui. Meus avós moravam numa casa linda na rua Santa Clara, infelizmente não tive o prazer de morar lá. Conforme os filhos foram casando, meus avós resolveram se mudar para um apartamento na Av: Nossa Senhora de Copacabana, quatro quarteirões da Santa Clara. Apartamento grande, três quartos, sala ampla, de amplas janelas. Muitas árvores em frente e a visão maravilhosa da Igreja Nossa Senhora de Copacabana, onde fui batizada aos três anos. Minha avó adorava uma casa bem cuidada. Tudo lá era nos trinks, quadros, bibelôs, plantas, rouparia. A mesa de jantar era ovalada, as cadeiras lindas, e o estofado das cadeiras era bordado por ela em ponto de cruz. Vovó além de bordar e costurar muito bem, também era um excelente cozinheira, e de quebra ainda tocava acordeon. Tenho uma vaga lembrança dela estudando, acordeon ao colo, partitura à sua frente, e aquele som lindo, canções francesas. Não sei bem porque minha vó parou de tocar. Acredito eu, que depois que ela teve um câncer no seio esquerdo. Ela operou, ficou uma grande cicatriz, que ela chamava de lacraia, mas o dito nunca foi embora de verdade. Lembro das aplicações de cobalto que fez, dos remédios que meu avô importava da alemanha para ela, de como sua pele era suave como um pêssego, branca como o leite, e sempre arrumada como se fosse sair. Vovó tinha um gênio forte, era durona, e tomei algumas surras dela. Ela usava umas sandálias Anabela, de solado de cortiça, que ardiam pra caramba nas pernas. Eu era impossível, ou talvez, ela já não tivesse mais idade para me "tourear". Por isso, fui para um colégio semi-interno. Ela estava doente. Embora o câncer tenha dado um tempo, ele estava lá, minando sua saúde. Passei a acompanhar minha vó a feira e ao super mercado, e com o passar do tempo, ela começou a me deixar dormir na casa das vizinhas amigas no prédio em que morávamos. Fim de semana, enquanto minha mãe estava viva e por aqui, ficava e viajava com ela, quando não, acompanhava meu avô ao cinema, teatro, ópera, ou viajava com as amigas. Depois que mamãe se foi, a doença tomou conta de minha avó, foram quatro anos de muito sofrimento e luta em nossa casa. E eu, única mulher por lá, aos nove anos assumi a parte doméstica da casa. Fazia a feira sozinha com a empregada, pois o dinheiro ia comigo, e ia ao mercado com meu avô. Minha mãe herdou de minha vó, e eu de minha mãe, o gosto por pintura, bordado, culinária, plantas, casa arrumada, roupa de cama-mesa e banho lindas. Embora minha vó nunca me tenha deixado entrar na cozinha, ficava de longe tentando aprender. Ela so me ensinou a fazer uma coisa, torta de maçã. Creio que ela já não tinha forças para sovar a massa, e resolveu me ensinar. Me sentava com ela na mesa da sala, e enquanto eu sovava a massa ela ia descascando as maçãs. Massa: Recheio;
Descasque as maçãs e corte em fatias. Junte todos os ingredientes da massa, uma gema apenas, a outra é para pincelar. Amasse bem, até fazer uma massa homogênea e fácil de trabalhar. Uma vez, queria porque queria fazer pipoca em casa, na manteiga. Minha vó brigou e brigou e brigou que lugar de criança não era na cozinha, e fui eu lá pra sala esperar a bendita pipoca que ela se prontificou a fazer. Eu danada, batendo pezinho, tentava ouvir de lá o estourar da pipoca, derrepente sinto o cheirinho e junto com ele uma fumaceira sem tamanho! Corri à cozinha e quando entro, estava um fumacê louco, e minha vó engasgada com a fumaça. Ela havia deixado queimar a manteiga. Tive que explicar à ela, que não se fazia pipoca na manteiga só com manteiga, e ela teve que dar o braço a torcer, e lá fui eu feliz fazer minha pipoca! Passado um tempo, a doença tomou conta de vez. Em casa um mini- hospital, com cama própria, balão de oxigênio, muito remédio... Certa noite, após jantarmos, meu avô se sentou ao lado da cama dela, como fazia todas as noites após o jantar. Ela havia até comido razoavelmente bem. Ela adormeceu, ele também ao seu lado, na cadeira. Não sei porque nesse dia, toda hora ia no quarto olhá-los. Numa das idas, prestei bem atenção em minha avó, e notei que sua pele estava opaca, meio amarelada, sem viço, já não reluzia mais. Fiquei assustada, chamei minha tia, meu avô dormia. Minha tia pegou o espelho, colocou junto aos lábios de minha vó e nada...ela havia partido. Saí do quarto aos prantos, enquanto o povo acordava meu avô, me encostei num panô imenso que havia na sala de jantar e chorei, chorei muito. Me lembro do caixão chegando em casa, depois eu chegando à capela, meu avô fez questão que ela ficasse na mesma capela que mamãe ficára, a número dois do São João Batista. Foi uma complicação. Na hora do enterro, quando foram fechar o caixão, ele não fechava, minha vó estava muito inchada e com o braço engessado, minha tia, irmã dela, o havia quebrado sem querer ao tirá-la da banheira, ela estava com câncer nos ossos, e só de virar na cama, as costelas se partiam. Trocou-se o caixão por um bem maior e o enterro saiu. Ao chegarmos no jazigo da família, cadê que o caixão entrava? Era grande demais! Correram para buscar um serrote, o coveiro sentou-se no caixão e começou a serrar as pontas. Ficamos ali parados assistindo aquilo, e quando ele acabou o caixão foi colocado em seu devido lugar e fomos embora. Não me lembro dos dias seguintes, nem da missa de sétimo dia. Hoje a lembrança mais forte que tenho, é da penteadeira de minha vó. Linda! Espelho central e dois laterais toda em rococó. O que havia por cima, maquiagem, escovas, creme de alface para o rosto. Essa foto, só que outra igual a essa, foto que meu avô beijava no mesmo lugar todas as noites, e como estava sem vidro, o olhinho foi gastando de tantos beijos. Na lembrança, a blusa com o casaquinho verde água de banlon, o colar de pérolas junto ao pescoço, o cabelo sempre curto e brilhantemente azul pela rinsagem, o sorriso... Minha vó foi uma guerreira! Sofria muito por todos nós. Gostava de ter a todos sob as asas, cuidando de tudo, sabendo de tudo. Seu maior prazer era a família reunida em grandes almoços. Éramos nove netos, três filhos, duas noras, mais minha tia Epona, tia Sinhazinha irmã de meu avô, que passou a morar conosco. Aprendi a ser dona de casa com ela, só olhando seu esmero, sua dedicação. Estou longe de ser igual a ela, mas aprendi bastante.
:: 16 de abril, 2003 ::
Continuação.
![]() Essa foi a última foto que tirei com minha mãe. Foi no dia 23 de outubro de 1966, dia da minha primeira comunhão. Pouco tempo depois, ela viajou para a europa para trabalhar, passou muito tempo por lá, se não me engano, quase dois meses, voltando no dia 15 de dezembro. Nesse dia fui buscá-la no aeroporto do Galeão, com meu tio Paulinho. Estava ansiosa e cheia de saudades. Ficava toda hora olhando para dentro da alfândega para ver se avistava a minha mãe. Derrepente, vi aquela carinha sorridente abrindo os braços para mim, passei por entre as pernas do guarda que barrava nossa entrada e corri pros braços de minha mãe, que a essa altura, já chorava tanto quanto eu! No dia 17 ela foi para Maricá, junto com seu namorado, Horacinho de Carvalho, filho de Lili de Carvalho, hoje, Lili Marinho, para matar as saudades e colocar a vida em dia, mas foram pegos na estrada por um caminhão em que o motorista adormecera ao volante, e viajou outra vez... Tenho cartões dela aqui, dizendo que ainda guardava na alma a sensação boa da "nossa primeira comunhão", pois nesse dia ela também comungou. Fizemos um retiro espiritual de 4 dias, e tivemos aulas e mais aulas de catecismo para nos prepararmos para a primeira comunhão. Tínhamos que desenhar os sacramentos, os paramentos dos padres, cada utensílio usado na missa, e decorar para que servia e como seria usado. Era tudo muito colorido e feito num caderno quadriculado. Quando chegou o grande dia, me senti toda importante dentro daquela roupa branca, mas na hora da confissão , vinha sempre a mesma coisa: -Padre, me perdoa porque pequei. Fui desobediente pra minha vó, respondi meu avô, não fiz o dever de casa, fiquei conversando na aula. -Eu te perdoo minha filha, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém. -Amém. -Reze 20 Ave-Marias e 10 Padre Nossos. E lá ia eu pro banco ajoelhar e fazer minha penitência, junto com outras tantas que já estavam por lá. A capela do meu colégio era linda, havia a igreja também que era maior. Depois que minha mãe se foi, todos os meses no dia dezessete, meu avô mandava rezar uma missa por sua alma lá, e nós da família assistíamos. Mas voltando a roupa. Não sabia se me sentia uma anja, uma freira, ou uma noiva! Mas até que fiquei com carinha de anja mesmo. ![]() Sorrisinho de pessoa benta, como se Deus , pela comunhão, tivesse me feito a pessoinha mais especial do mundo. Vamos encontrar Wally? Adivinhem quem sou eu!
Tento puxar pela memória, mas não consigo lembrar do nome de todas as meninas da minha turma, ruim isso! Mas ficou aqui, guardado no meu coração, e hoje dentro do meu evangelho, a lembrança da "nossa" Primeira Comunhão. ![]()
:: 08 de abril, 2003 ::
Saidinha.
![]() Sempre fui saidinha para as artes desde a época do colégio. Nesse colégio da foto, Santo Amaro, em Botafogo, estudei piano clássico 7 anos. Lá fazia teatro também e adorava as aulas de trabalhos manuais onde aprendi a bordar e fazer outras tantas coisas do gênero. Sempre ensaiei duas músicas para os recitais semestrais de piano, e em todas as peças eu estava enfiada. Nessa foto eu estava declamando, imaginem, e as minhas amigas, me conhecendo do jeito que conheciam, estavam contendo o riso ali, até porque, eu estava com uma baita saia vermelha por baixo, que fazia parte da peça que iria participar logo depois, "Chapeuzinho Vernelho". Não sei se da para notar pela foto, que algumas meninas tem uma medalha no peito, e eu nunca consegui ganhar uma dessas, por conta do comportamento. Essa medalha era para quem tirasse dez em tudo, inclusive em comportamento, e quem a ganhava, ficava com ela até o próximo boletim, caso tirasse dez em tudo novamente, continuava com a relíquia ao pescoço. Eu era semi-interna, entrava as 7 horas da manhã e saía as 5 da tarde. No começo não ligava, mas quando fui ficando mocinha, achava aquilo um porre. Estudava a manhã toda, e de tarde fazia os deveres de aula, e estudava mais. lembro-me bem do refeitória, das mesas compridas, da diferença da nossa comida para a das professoras. De como eu detestava batata doce frita, bife de fígado gelado, ovo frito frio, e o cheiro de laranja da madre Helga. Um dia , estávamos almoçando, e fez um barulhão vindo da cozinha. Tinha despencado o teto de ladrilhos, sorte que ninguém se machucou, mas voaram alguns fígados duros para debaixo da mesa... Tenho boas lembranças de lá, mas gostei de sair, afinal, estava mais do que na hora de estudar num colégio misto, mas esta é outra história...
:: 05 de abril, 2003 ::
Carmela
![]() Essa é minha vó Carmela, mãe de meu pai Candinho, casada com meu avô Gerardo, que ainda não achei a foto por aqui, mas vou achar. Minha vó Carmela era filha de italianos, uma mulher inteligente e espirituosa, morreu a uns 3 anos, com 87 de idade. Seu corpo já não acompanhava mais a cabeça boa e moderna de minha vó. Era uma pessoa com a qual eu conversava de tudo, bem informada, lúcida, no alto de seus 87 anos, ainda saímos pra tomar um chopinho vez ou outra, e sempre que me via na tv, ligava para dizer..." Claudia, você é formidável!" Tenho lembranças deliciosas dela. Estar com ela significava liberdade , pois minha vó Maria, com quem fui criada, era super rígida. Sempre que ia à sua casa, era recebida com batatas fritas, feitas em óleo Mazola, e nunca mais esqueci aquele gostinho, até hoje, quando como batatas, fritas nesse óleo, o sabor me traz ela direto a memória. Quando estava lá, era praxe fazermos suspiros de tarde, e tudo batido na mão, depois, enquanto ela via tv, eu ia lavar o quintal, brincar de patinar na espuma, me molhava inteira, e ao fim do sonho, um bom e quente banho de banheira pra não ficar gripada. Carmela tinha um fusquinha, e nele íamos pra todo lado. Minha vó adorava sair comigo e meu primo Luiz Otávio, e sempre procurava um parquinho para ficarmos jogando. Lembro bem uma vez que fomos num parquinho que sempre ficava na Lagoa nos fins de semana, e eu adorava brincar naqueles joguinhos de canaleta, que você deixava as bolinhas irem, até encaixar na casinha do número, e dependendo da soma seu prêmio era um lápis ou um bichinho de pelúcia. Nesse dia, ganhei um vaso enorme, e imediatamente o dei para minha vó toda feliz. Entramos no carro, vovó saiu e escutamos o PLAFT, ela havia esquecido o vaso em cima do teto na hora de abrir o carro, e foi-se o vaso pro asfalto. Lágrimas e choramingos, mas nada que uma promessa de batata frita ao chegar à casa não curasse. |
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